segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Coimbra e suas pérolas

1 - Das pichações

Quem é mais criativo?
a) A pessoa que saiu escrevendo "I love my penis" nas paredes da cidade;
b) A pessoa que escreveu logo abaixo "More than my vagina?";
c) A pessoa que leu, riu e comentou em voz alta: "A poesia vive solta nesta cidade!"

Dentre os autores das frases abaixo, quem é mais rebelde?
a) "Guerrear pela paz é o mesmo que fuder pela virgindade."
b) "Estava a pensar numa revolução através do vazamento da palavra solidão. Que bosta!"
c) "Joana come o papa!"
d) "O papa papa"

2 - Das pessoas caricatas:

a) Uma senhora de cabelos brancos, longos e trancinha de lado, sempre oferece sua companhia para algum grupo de estudantes a almoçar/jantar nas cantinas universitárias. Ela senta e começa a contar toda sua vida. E conta inclusive um grande segredo: que seu marido, físico, trabalhou nas pesquisas para desenvolver a bomba atômica!

b) No MC Donalds, um senhor também oferece sua companhia em alguma mesa, mesmo que haja diversas mesas vazias no momento. Faz o seu lanche, e quando termina, pede 2 euros para comprar um gelado (Ok, não nego que fiquei com pena e dei uma moedinha a ele).

c) O rapaz bêbado que nos perguntaram se é verdade que no Brasil, as pessoas andam peladas na rua e também se as mulheres brasileiras são mais quentes que as portuguesas na cama. "Não sei, nunca experimentei!" foi a melhor resposta. Poderiam ter tido outras.

d) O bibliotecário, quando perguntamos como-se faz para retirar livros, responde:
- Com as mãos!
Depois ri e diz que é só uma piadinha de português.

e) Meu amigo Marcelo, que passando em frente ao presídio, pergunta:
- Será que tem bandido aí dentro?

XD

domingo, 18 de setembro de 2011

No glossário...

Aos poucos estou a aprender que...

um copo de CHOPP ou cerveja = FINO
(-Vamos tomar uns FINOS hoje?)

PORÇÃO = DOSE
(- Por favor, meia DOSE de bacalhau com arroz...)

ÔNIBUS = AUTOCARRO
TREM = COMBOIO
(- Não sei se vou pra Lisboa de AUTOCARRO ou COMBOIO...)

METRÔ = METRO (paroxítono)
(- Deves tomar o METRO na estação X...)

PASSAGEM = BILHETE
(- O BILHETE pra Porto custa 13 euros.)

AQUECEDOR = ESQUENTADOR
(- Aqui usa-se um esquentador para aquecer. No Brasil é um aquecedor para esquentar...)

CELULAR = TELEMÓVEL
CHIP = CARTÃO
(- Comprei um CARTÃO para o meu TELEMÓVEL.)

UNHA POSTIÇA = GEL
(e eu não entendia a manicure perguntando se minha unha estava machucada pq eu tinha feito GEL... rs!)

ESMALTE = VERNIZ
(diga-se de passagem, um vidrinho de verniz custa 5 euros!!!)

MESA DE ESTUDO = SECRETÁRIA
(- No meu quarto há uma SECRETÁRIA!!!)

GUARDA-ROUPA = ROUPEIRO
(por falar nisso, preciso organizar o meu...rs!)

BANHEIRO = CASA DE BANHO
VASO SANITÁRIO = SANITA
("Favor não jogar objectos na SANITA da CASA DE BANHO!)

CAFÉ-DA-MANHÃ = PEQUENO ALMOÇO
(- O pequeno almoço deste hotel é muito bom!!!)

GELADEIRA = FRIGORÍFICO
( - Há cerveja no frigorífico.)

CENTAVO = CÊNTIMO
(- Custa um euro e vinte cêntimos.)

Sem contar que...

É indelicado chamar uma mulher jovem de MOÇA, mas de RAPARIGA é normal
("Arrenda-se [= aluga-se] quartos para RAPARIGAS")
Também é indelicado chamar homem de MOÇO, assim como é formal demais chamar alguém de VOCÊ. Mas é difícil acostumar com o uso do TU e da conjugação da segunda pessoa. Eliminar o gerúndio também é complicado, mas já estou a usar o verbo HAVER no lugar de TER (-Há muitos brasileiros por aqui.). Na medida em que eu perceber mais diferenças linguísticas, vou postando aqui....

sábado, 17 de setembro de 2011

Na Europa

É, então. Eu to na Europa, fato. E isso realmente é muito bom, é maravilhoso, é extraordinário, é uma das maiores realizações que já conquistei até hoje. Estou em Portugal, em Coimbra, sou aluna de uma universidade mega conceituada, precisa mais?
Bem, aparentemente não. Está tudo ótimo por aqui. Mas eu continuo observando o deslumbramento excessivo de algumas pessoas, não só dentre as que estão aqui, mas também das que estão no Brasil, amigos, familiares, colegas e... bom, é chato dizer, mas alguns invejosos...
Vai entender o que se passa na cabeça dessa gente que acha que "estar na Europa" é ter uma vida linda, perfeita, colorida, badalada e glamourosa. Ainda bem que eu nunca esperei que fosse assim, nem nos meus sonhos mais otimistas antes de vir pra cá.
Claro que tem inúmeras coisas, fantásticas coisas, que só vou ver e viver durante minha estadia aqui. Pretendo viajar muito, conhecer o máximo possível de lugares lindos, vivenciar culturas, conhecer pessoas diferentes... - apesar de que é bom ressaltar que o melhor da Europa nem é o europeu...
Puxa, estou no Velho Mundo, com a possibilidade de visitar lugares que eu imaginava pelos livros de história, quero respirar esses ares onde tanta coisa já aconteceu, onde um dia falou-se o latim, onde nasceu a nossa língua portuguesa, onde já se passaram grandes impérios... é, é maravilhoso mesmo saber que eu poderei conhecer uma boa parte disso e o melhor, gastando pouco e com tempo de sobra. E é aí que minhas expectativas se esbarram com as de muita gente.
Por melhor, maior, mais incrível e encantador que seja, "estar na Europa" não é a felicidade plena e constante 24 horas por dia, 7 dias da semana, e durante 6 meses consecutivos e ininterruptos. Certamente seria pleno numa viagem de férias, com data marcada e pouco tempo pra ver tanta coisa. Mas não é o caso de quem vai ter uma vida aqui.
Eu agora eu tenho toda uma rotina em Coimbra, tenho dinheiro pra administrar entre aluguel, comida, contas e lazer, tenho trabalhos e provas pra estudar, estou construindo um círculo de amizades e de convivência onde há todo tipo de gente, além do mais, não é pelo fato de estar na Europa que eu vou deixar de ter TPM, dor de barriga, um dia de stress e outro de ressaca. O fato de estar na Europa não me impede de ter mau humor, nem bom humor excessivo; também não diminui as horas q eu passo por dia na internet, nem o meu vício em café, nem as inúmeras noites de insônia, e certamente não vai mudar minha ansiedade e desespero em dias de provas ou trabalhos valendo mais pontos - até mesmo pq o sistema de avaliação aqui é completamente diferente do que estou acostumada. E isso, com um tanto de preocupações a mais, que eu não preciso ter em minha própria casa.
A boa notícia é que por enquanto minha rotina "biológica", digamos assim, continua a mesma. Continuo sem horários pra ter fome e sono, nem sempre consigo acordar no horário certo e meu ciclo tá desregulado como sempre foi. Ainda bem, sinal que o fato de estar na Europa não fez nenhuma magia com meu corpo, mas também não causou nenhum descontrole fisiológico. Estou em perfeitas condições para aproveitar intensamente cada oportunidade desta temporada, e ainda aprender, muito, com essa experiência de ser livre e responsável ao mesmo tempo!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

As "novidades" do intercâmbio

Tudo bem que todo mundo sempre quer férias, seja de estudos, de trabalho ou de ambos, mas chega um ponto em que ficar a toa cansa. Acho que eu vim pra cá muito antes do início das aulas, mas esse tempo foi bom pra me organizar, me situar, me adaptar, e também perceber o local onde vou passar os próximos meses.

Quanto a perceber o local, eu já sei que não sou muito boa nisso. Coimbra é mais ou menos do tamanho de Campo Belo e tenho certeza q mesmo depois de 6 meses ainda vou me confundir com as ruas e ficar perdida em alguns lugares... faz parte!!! Agora, quanto a perceber as pessoas, cada dia uma impressão se renova e outra se desfaz.

Nos primeiros dias eu sempre fico meio com o pé atrás, isso em qualquer situação em que sou "novata" no ambiente. Não sou de chegar e achar q vou ser amiga de todo mundo e q todos serão super legais. Nunca fui, nem quando eu tinha a "idade malhação"... Também não acho que em poucos meses vou construir aqui, uma rede de amizades tão forte e tão quanto por exemplo a que tenho com a turminha de CB, ou com o pessoal do D.A. Não vou me iludir a ponto de esperar por isso. Quero curtir, conhecer pessoas q me acrescentem e q me divirtam, companhias pra beber, pra viajar, pra almoçar junto, pra fazer compras, ou pros trabalhos da faculdade. Conhecer estrangeiros tbm deve ser interessante, nem que seja ao menos pra treinar o inglês, o italiano, o espanhol (depois eu faço um post sobre isso, q o assunto rende.... rs).

Mas eu também preciso - E MUITO - de um tempo só comigo mesma. E eu precisei desse tempo (que durou uns três dias), ao ponto de algumas pessoas não entenderem e acharem q eu estava em depressão, ou que não queria me enturmar. Não era nada disso, a começar que coincidentemente, foram 3 dias em que fez muito frio e choveu. Outra coisa é que realmente ainda estou muito ligada no Brasil, especialmente na minha família, que está passando por um momento muito delicado devido à doença da minha tia. Então, nem se eu quisesse ser muito insensível, eu conseguiria me desligar de lá assim, de uma hora pra outra, e simplesmente sair pra encher a cara e achar q eu sou a pessoa mais feliz do mundo pq estou na Europa... Minha vibe é outra...

Percebo q muita gente chega aqui e deslumbra. Acho q eu até queria me deslumbrar também, mas não consigo ver nada tão grandioso assim como parece q muitos deles vêem. Será q é pq eu já dei tanto murro em ponta de faca? Ou pq já me deslumbrei tanto com pessoas e lugares que acabei criando uma proteção? Ou será q é pq eu não tenho mais 20 anos? Muitas pessoas vêem o intercâmbio como a fase do "sexo, drogas e rock 'n roll" e então se deslumbram com uma suposta liberdade. Bom, vou parando por aqui, antes que me interpretem mal ou pensem que eu sou careta, quem me conhece bem sabe que é justamente o contrário.... rsrsrs!!!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Um dia inteiro com Murphy

Se os deuses realmente castigam, eu não sei. Mas que Murphy realmente existe, depois desse dia que decidi ir passear em Lisboa com o Gui, eu tenho certeza. Algo mais poderia dar errado? Com certeza!!!
Rodoviária: o próximo autocarro (ônibus) pra Lisboa sai em três horas.
Lanchonete: 5 euros para o desjejum de duas pessoas famintas.
Multibanco 1: ele não consegue sacar $ do cartão de crédito.
Multibanco 2: eu deixei em casa a senha do VTM.
Multibanco 3: não consigo sacar com o cartão do Banco do Brasil.
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh....... o jeito é sobreviver com um caldo verde e uma latinha de coca (dividida entre os dois, lógico)....
Em Lisboa, nada demais, pra dizer a verdade. Talvez porque não deu tempo de rodar muito, ou talvez pq a impressão que tive era essa mesmo. Uma capital, nada mto diferente das várias capitais que conheço no Brasil. O metrô é igual ao de SP, o trânsito não muito diferente de BH, algumas paisagens que lembram Recife, Rio, Vitória... ahhhh, eu vi a Torre de Belém, pelo menos, de longe... e comi o tal pastel de belém que tanto dizem... faz jus à fama, delicioso, recomendo a todos que passarem po aqui, um dia, experimentar....

Terceira temporada quase 8 anos depois...

Em Coimbra, um reencontro mais ou menos inusitado. Ahhhhh, é uma longa história de "amor e ódio", como diria o Guilherme, duas temporadas de amizade, de loucuras, de hormônios em ebulição e uma escada em espiral de onde eu quase fui jogada numa noite de quinta-feira bêbada... Não, não precisa entender, nem preciso contar...
Bem, agora não há mais escadas, nem amor, e nem ódio. Reencontrar com o Gui foi inexplicavelmente especial. Relembrar as temporadas e os absurdos, rir da nossa inocência de "meninos" que éramos em 2003, 2004... Quem diria que depois de tanta coisa íamos nos encontrar assim, do outro lado do oceano?! Uma pena que ele já estava de partida para o Brasil, mas aproveitamos juntos as últimas 72 horas dele aqui. Fomos beber com a Raquel e o Marcelo, vodka preta, vááárias litradas de chopp, umas batidas, e nem sei mais o quê... "O álcool, antes de matar, humilha!!!"... melhor deixar baixo essa passagem da nossa noite!!!
O Gui me apresentou a "francesinha", um prato típico do Porto, mas ainda estou a me perguntar pq um prato tipicamente português teria nome de "francesinha" e não "portuguesinha"...
O problema é que aqui, quanto mais eu tento entender as coisas, mais me confundo. Até que é divertido ficar um pouco confusa de vez em quando...

Na nova casa

Sabia que podia contar com a sorte do Marcelo, e dos "deuses" que ele diz estarem sempre com ele... Hahaha! Ele conseguiu encontrar casa pra nós, e na sexta-feira já nos mudamos... De cara eu senti q me daria bem na pensão da Dona Rosa, até então o medo era grande de passar os mesmos "perrengues" que passei em São Paulo... mas aqui, pelo menos nesse quesito, as coisas até que se encaminharam rápido... Ahhhh, como é bom ter um quarto só pra mim!!!

A casa é bem espaçosa, há vários quartos, e pra variar, sou uma das poucas meninas a viver aqui... Mas tudo bem, o importante é não estar em meio aos mal amados, pelo que senti a galera aqui é muuuuuuito bem amada e animada, vai dar certo, tem que dar!!! Pertinho da Faculdade, vou andar pouco, ai, nem acredito, um semestre sem depender do transporte público, ALIÁS, um semestre inteiro sem andar espremida no 5102 às 7h da manhã.... pronto, já valeu a pena o intercâmbio!!!

A busca por moradia...

Na quarta-feira o Marcelo chegou depois de uma longa jornada, várias conexões e esperas... Eu avisei pra comprar a passagem com antecedência, quem mandou não seguir meus sábios conselhos?! rsrsrs...
Ótimo, agora sim começou a temporada. Descobrimos o saboroso "vinho do Abílio", 3 euros o litro... Exploramos um pouco da noite na cidade... Conhecemos umas pessoas meio estranhas (na verdade, acredito que eles é que nos acharam estranhos e não posso negar que tiveram lá seus motivos...rs!), entramos numa baladinha que parecia GLS (nada contra, mas até aqui?!?!?!), chegamos no hotel quase ao amanhecer.
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Na busca por moradia, na tentativa de fazer amizades, na tentativa de entender o que os portugueses dizem... Ao contrário do que muitos haviam dito, eles são ótimos, educados, solícitos, prestativos. Pelo menos a maioria dos que pedimos informação foram super atenciosos... Numa proporção de 30"bem amados" para 1 "mal amado" pelo caminho...

No hotel

Meus dois primeiros dias foram basicamente: assistir TV (todos os telejornais de Portugal só falam sobre a crise), navegar na internet (principalmente facebook, no qual estou começando a viciar..), ligar para todos em CB e BH com aquele cartão maravilhoso cheio de créditos pro Brasil, e dormir. Todas as vezes, todos os cochilos que eu tirava, eram permeados de sonhos em que eu estava em CB, ou BH. Já é complexo ter duas moradas, agora preciso assimilar uma terceira. E longe. Muito longe de tudo que eu já vi e vivi...
Andei um pouco pela cidade, fiz compras, comi (ainda não cheguei a fazer fotossíntese, embora sinto que falta pouco...rs), procurei por anúncios de quartos pra alugar, e até marquei salão!!! Estou achando as coisas por aqui muito baratas, ou será a minha matemática q não é mto boa?! Na hora de converter os preços de euro pro real, me confundo toda, não sei multiplicar por 2,4 assim, então multiplico por 5 e depois divido por dois, aí acho as coisas lindamente baratas e saio comprando tudo...
Ahhhh, no primeiro dia eu já fui "zuada" pelo carinha do hotel. É que eu esqueci de pegar a chave do quarto na recepção, e fui perguntar como fazia pra trancar o quarto do lado de fora, ele me deu a chave e perguntou se eu era portuguesa. Eu ainda demorei a entender: "Sou não, pq?" E ele: "Pois parece!"
Depois dessa eu comecei a me sentir em casa e já estou me preparando pra receber o título de cidadã honorária!!!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A travessia continua...

Essa parte sem dúvida foi a mais cansativa de toda a viagem. Na estação do metro (aqui eles dizem metro, sem o acento tônico no "o" - metrô), uma confusão. Não entendia nada do mapa das linhas, é muito, mas muito mais complicado do que em São Paulo (na verdade, em São Paulo é tudo muito auto-explicativo, coisa que os portugueses ainda estão longe de fazer... rs), mas perguntando a um e outro acabei entendendo a lógica. Eu precisava chegar à estação dos comboios, o maior (maior mesmo) problema eram as malas. Uma grande, duas mochilas e a bolsa de mão, que me fez o gentil favor de arrebentar o zíper... aff!!!
Na estação dos comboios (trem), comprei um cartão telefônico de chamadas para o Brasil, 5 euros, liguei pra minha mãe e avisei da minha chegada, lanchei, mas... acabei perdendo o comboio pra Coimbra. Pronto, tive de esperar mais uma hora... e carregando aquele tanto de malas...
Conheci mais dois brasileiros, que me ajudaram e me deram informação. No comboio foi um pouco apertado por causa das malas, mas enfim, cheguei. E na estação tomei o taxi para o hotel, onde fui super bem recebida (mais uma brasileira, na recepção). Entrei no quarto, tomei um banho, entrei na internet um pouco, mas logo fui apagando e dormi. Dormi muito. Era tudo q eu precisava nessa hora.

Nos aeroportos

Em Lisboa, o dia apenas amanhecia. Então pensei no fuso-horário. Eram 6h da manhã, ou seja, 2h da madrugada no Brasil. Como não havia dormido, nem nada, estava realmente sem humor, sem emoção, sem dramas também. Não me deslumbrei, mas também não senti frio na barriga. Segui o povo. Apresentei o passaporte e o visto. Tudo tranquilo. Então fui pra sala de espera do próximo vôo.
Precisava ligar pra pensão em Coimbra, para confirmar minha reserva, já que havia decidido ir logo pro meu destino final mesmo. Um brasileiro (diga-se de passagem, pernambucano) ofereceu ajuda para usar o telefone, depois me deu algumas dicas sobre como chegar a Coimbra.
O vôo pra Porto atrasou, mas cheguei bem. O desembarque foi muito tranquilo, nenhum problema com a bagagem nem na entrada do país, tudo na maior normalidade. Acho que por isso também que não estressei... Enfim, na Europa. Enfim, Portugal. Será que é verdade? Bom, não ia perguntar isso agora, tinha coisas mais importantes com que me preocupar e a principal delas era entender a lógica do metrô e dos comboios.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

No avião

O embarque foi tranquilo, não houve atraso, o vôo é que está meio entediante, sem contar que tá cheio de italianos no avião e eles não calavam a boca, coloquei o fone de ouvido e fiquei escutando umas músicas da rádio TAP, músicas portuguesas, claro. Mas são meio melancólicas, tanto pela letra quanto pelo jeito de cantar. Na TV assisti um pouco do jornal, mas ainda não entendo muita coisa do português europeu, fica difícil. Em um dos canais estava passando o filme “Rio”, que eu havia começado a ver em CB (inclusive, com a titia), e queria terminar de assistir, mas deu problema no som. Aí eu apelei pra Sandy e Junior aqui no meu mp4 mesmo. E o sono que não vem? Já passaram 6 horas de viagem, e só um cochilinho de nada...

Ah, mas a refeição foi até caprichada (pra quem tá acostumado com as barrinhas de cereal dos vôos domésticos, foi um banquete!): strogonoff, arroz, batata palha, salada, refri, uns pãezinhos e doce de mamão na sobremesa. E vinho. Se o Marcelo tivesse vindo comigo, a gente ia chapar durante o vôo inteiro (ou até pararem de servir), e essa viagem estaria menos chata. A mulher do meu lado é italiana, e é uma freira! Não consegui falar direito com ela. O pouco que eu falo e entendo de italiano não me serve de muita coisa. Em compensação, vou tentar dar um pulinho na Inglaterra para aprimorar meu inglês britânico, quem sabe? Estou na Europa mesmo, não custa tentar (o pior é que custa, e custa em libras!!!). Londres é um sonho antigo, então tenho que ir, mas não tenho planos, nem roteiro de viagem. Na verdade não sei nem se vou passar a primeira noite em Porto, ou se vou direto pra Coimbra, vai depender muito do meu humor quando eu chegar lá, isto é, se eu tiver humor, pq depois de tanta coisa acho q meu humor foi embora, não está bom nem mau, apenas inexistente por agora.

Saudade. Toda hora eu lembro de um momento ou de alguém que vai fazer muita falta nos próximos 6 meses. Não vou citar nomes, são amores e amizades diferentes. Mas agora, neste exato instante, a saudade q tá apertando mais é a falta dele. É muito ruim interromper uma relação assim no auge em que estávamos. Fazia muito tempo que eu não sentia algo desse jeito e que me fizesse tão bem como ele conseguiu fazer. A reciprocidade, a química, o carinho, o respeito, a sinceridade, a capacidade de compreensão e o diálogo, tudo isso junto no mesmo relacionamento, praticamente do jeito que eu sonho e que eu preciso, mas tinha que acontecer logo agora? O pior é que parece que tinha. Exatamente agora. Significa muito pra mim, e pra ele também. Nada é coincidência. Mas também não sei se acredito em predestinação. Eu acredito que temos forças que desconhecemos. E com ele eu consegui perceber um tipo de força que eu não sabia que tinha. Ou então, se sabia, ainda não tinha usado. Talvez pela falta de oportunidade, talvez porque é a primeira vez que eu estou com uma pessoa que também tem esse tipo de força. É muito bom conhecer alguém assim.

As Despedidas em BH

Amigos, colegas, bebidas, pizza, fotos, abraços, lágrimas, risadas, beijos. E ele. Nós. Um sentimento que se atreveu a nascer fora de época, que se arriscou a crescer mesmo com data marcada pra interrupção. Não, eu recuso-me a pensar que foi uma despedida. Mas como é que a gente vai prever ou planejar o que pode acontecer, sendo que a história em si já era completamente imprevisível?! Ah, mas esse encontro foi sem dúvida a melhor surpresa dos meus últimos meses. De certa forma eu gosto mesmo de não saber o que vai acontecer nos proximos capítulos. Como eu gosto!

Despedir do meu irmão também foi estranho, vou sentir falta dele. Acho legal ter um irmão adolescente, cheio de crises, bobeiras, teorias, etc. Nossas conversas são engraçadas, é uma diferença grande de idade e de mundos, mas isso torna a convivência até mais interessante, é bacana essa interaçao.

No aeroporto uma confusão, acabei me perdendo do meu pai e foi um desespero pra ambos, quando encontramos de novo ele tava nervoso e eu tava praticamente em pânico. Agora que passou o sufoco, fico imaginando o tanto que o meu irmão vai me zuar, ficar perdida no aeroporto!!! Pensando bem, chega a ser engraçado... Mas o momento não teve nada de engraçado.

Hoje a Carol me deu uma péssima notícia sobre a titia, ela está internada novamente e o médico meio que já cortou as esperanças. Minha mãe estava no hospital visitando e pedi pra falar com ela, foi muito estranho. Contei q estava no aeroporto, lembrei q minha primeira viagem de avião, em 85, foi com ela, pra Sao Luis. Chorei. Chorei e toda hora eu choro só de imaginar que hoje pode ter sido a última vez que conversamos. Mas agora eu tenho q encarar a vida, qdo acontecer o pior eu não vou poder ir lá, não estarei perto dos meus primos, nem da família e a dor vai ser maior ainda do que já está sendo.

As Despedidas em CB

Cheguei em Campo Belo sábado (13-08) à tarde meio ressaqueada. A sexta-feira havia sido intensa, "maravilhosa e recheada", aliás, que sexta-feira foi aquela, como foi gostoso passar a tarde e a noite com meu lindinho, desde o final da aula da manhã, Cabral, D.A. Biblio, muitas cervejas, e até uma aventurinha adolescente... kkkkk!!! Nós também, viu... tem hora q parecemos dois adolescentes mesmo... Mas isso não é nada ruim, estamos cada vez mais próximos, mais entregues, mesmo sabendo que minha viagem se aproxima e que muito em breve isso vai ter que mudar... bom, não quero preocupar com isso agora.
Amigos, amigas, primos, familiares... A turma estava programando uma festa surpresa de despedida pra mim na casa do Marcão, mas de última hora ele teve que viajar, e acabou não dando pra fazer. Tudo bem, o importante era estar perto dos amigos, dos meus primos, das pessoas de quem mais vou sentir falta. Fomos pro bar do Torresmo e bebemos todas, depois ainda completamos a noite no Pelé Lanches. Eh, turminha boa e animada q eu queria levar junto comigo pra Coimbra... haha! Aí sim seria uma formação de quadrilha das mais perigosas... Nossa turma num é fácil não, o bicho pega mesmo!!! Disposição e animação é o que não falta, nunca!
Domingo foi um dia mais tranquilo, de ficar com a família mesmo. Dia dos pais, fui à casa do meu avô, conversei com meus tios, tudo de boa, depois Pedro Orlando com meus pais e meus primos. Foi até legal, a conversa rendeu e pra variar, fomos os últimos a sair de lá. Haha.. acho que sei a quem eu tenho que puxar... tá na genética essa disposição toda!!!
Fui à casa da titia, passei um tempo lá, ela está mal, isso me aperta o coração, saber que vou viajar e aproveitar, enqto minha família passa por um momento tão complicado e delicado. É a tia que mais gosto, q mais tenho ligação e carinho, eu vejo a titia como um exemplo de personalidade, como diriam os cardecistas, um espírito mto evoluído. É muito triste vê-la nessa situação. Mas psicologicamente ela parece estar muito bem, isso faz toda uma diferença. Deu até uma esperança que ela melhore e que esteja bem qdo eu voltar, mesmo sabendo que o estado é grave.
Enfim, segunda-feira, a hora de despedir mesmo da minha mãe, dos meus tios-avós e da Lara. Rolou umas lagriminhas. Abraços, desejos de boa sorte, etc e tudo. Ai, a Lara... tenho mto medo dela também não estar mais lá quando eu voltar... Ela vai estar com 14 anos, já toma remédio controlado, já teve um tanto de problemas, mas aquela cachorrinha tbm é um exemplo de força e persistência. O jeitinho q ela me olhou qdo eu tava saindo foi muito especial, diferente, parece q ela sentia q eu ia demorar muito a voltar desta vez. Ou então fui eu q senti isso tão forte, que consegui transmitir pra ela.
Vou sentir muita saudade de CB, mais do que de BH. Não pelas pessoas, pq são relações diferentes, mas pelo lugar, pelas situações, pela minha casa, meu quarto, a liberdade que eu tenho só lá... Ah, mas nem vou divagar sobre isso agora. Vou aproveitar cada segundo que eu puder antes de partir.